"Escrever é um ato solitário, solitário de um modo diferente de solidão. Escrevo com amor e atenção, ternura e dor e pesquisa, e quero de volta, como mínimo, uma atenção e um interesse."- Clarice Lispector

22 setembro, 2013

Apresentação pessoal


Olá a todos, sejam bem-vindos ao nosso blog Sopa de letrinha e cia. Somos as professoras Mabel Bento e Regina Monteiro, ambas de Língua Portuguesa, para o Ensino Médio e Fundamental II, na cidade de São Paulo.
Construímos este espaço para atender à proposta de sistematização do nosso curso de Pós Graduação, da Universidade Católica de Brasília: Ensino e Aprendizagem da Língua Portuguesa para o Ensino Fundamental II e Ensino Médio, nas disciplinas Mídias na Educação Básica (Profa. Ana Paula Costa e Silva) e A Produção Textual no Espaço Escolar (Profas. Andrea Coutinho e Yara Fortuna).
Procuramos apresentar reflexões sobre a aquisição da leitura e da escrita, no espaço escolar, bem como o uso e a contribuição da tecnologia no processo ensino/aprendizagem, também no ambiente escolar, por meio de artigos escritos, vídeos, animações e imagens.
Esperamos que confiram nossas sugestões de links e gostem de nossas postagens!
Um abraço,
Mabel Bento e Regina Monteiro

A leitura em nossa vida


Leitura, palavra que faz parte de nossa existência. Sabemos que ela nos apresenta novos mundos, novas pessoas e nos faz “viajar” por meio de nossa imaginação, aguçando nossa curiosidade, provocando novas sensações, além de aumentar nossos conhecimentos e registrar fatos em nossa memória.
Mas, já nascemos gostando de ler? Ao que parece não; pois, assim como não nascemos com a definição da língua que iremos falar - vai depender do lugar e com quem seremos criados/educados - a leitura também deve ser aprendida; e já pode ser despertado em nós o gosto pelos livros ainda quando pequenos, em casa, com nossa família, e mais tarde, na escola.
Nos três links a seguir encontraremos abordagens envolvendo leitura.
No primeiro, há um trecho, publicado pela Revista Nova Escola, de uma das mais importantes obras de Delia Lerner, escritora argentina, Ler e escrever na escola: o real, o possível e o necessário. Nele, a autora afirma que leitura implica atribuir sentido/significado à escrita e que isso deve ser feito desde a primeira aula da pré-escola.
No segundo, A menina que odiava que odiava livros, temos Nina a protagonista da história que achava os livros chatos. Entretanto, um dia, uma pilha deles despenca sobre sua cabeça e os personagens saem dos livros causando a maior confusão e destruição dentro da casa dela. Para resolver tudo, a garota precisa ler as histórias e ao “chamar” (ler) os nomes dos personagens, eles encontravam o caminho de volta, ou melhor, o livro ao qual pertenciam. Foi assim que Nina descobriu o prazer de ler.
E no terceiro, intitulado Os fantásticos livros voadores do senhor Lessmorre, de Willian Joyce, é contada a história de um jovem solitário chamado Modesto Máximo, Morris Lessmore - no original em inglês -. Máximo está na varanda de sua casa escrevendo, quando vem um furacão e ele perde tudo. Tudo mesmo. Menos as suas memórias. Durante a ventania, uma menina voadora joga um livro para Modesto e esse objeto guia-o até uma biblioteca, onde o jovem se torna cuidador e dono dos livros. O tempo vai passando, e Modesto vai escrevendo o seu próprio livro. Quando termina, descobre que também tem a capacidade de voar e joga seu livro sobre uma menininha, ou seja, tudo vai começar novamente.
As histórias das animações são simples, no entanto o que chama a atenção nelas é a paixão pelos livros, da qual Delia Lerner fala e Nina e Máximo demonstram em suas histórias. Vamos conferir?
 
Revista Nova Escola

 
 
 



Fonte:
Revista Nova Escola Construção de significado, desde a primeira aula da pré- escola. Disponível em:< http://revistaescola.abril.com.br/producao-de-texto/construcao-significado.shtml>.  Acesso em 18/09/2013.
A menina que odiava livros. Disponível em:< http://www.youtube.com/watch?v=geQl2cZxR7Q>.  Acesso em 18/09/2013.
Os fantásticos livros voadores do Senhor Lessmore. Disponível em:< http://www.youtube.com/watch?v=wDkfhwRlcZw>. Acesso em 18/09/2013

Formação do aluno leitor


Como já sabemos, o trabalho de formação do aluno leitor começa bem cedo.  No vídeo a seguir, da disciplina Didática da Língua Portuguesa e da Literatura, do Curso de Pedagogia Unesp/Unives, vemos um trabalho cooperativo onde os alunos mais velhos ensinam os mais novos a ler com entonação e fluência. A interação entre eles acontece  de forma natural e o resultado é a potencialização no desenvolvimento da capacidade leitora
Parabéns às professoras responsáveis pelo projeto!
Fonte:
UnivespTv Formação do leitor. Disponível em:<https://www.youtube.com/watch?v=FvH82Fn4ssQ>. Acesso em 18/09/2013.

O processo da reescrita

                                         Assista ao vídeo do Professor Marcuschi

Na fala do professor Marcuschi, destacam-se, entre outros aspectos, as distinções entre o universo da fala e o da escrita. No entanto, em muitos processos de escrita, no contexto escolar e fora dele, essa separação e particularização de cada universo não se materializa, no processo de aprendizagem da escrita, de forma adequada. Principalmente nos anos iniciais do Ensino Fundamental, é comum as produções de textos se basearem na escuta de textos ou na produção escrita de textos conhecidos de memória pelos alunos, como contos de fada, por exemplo.
            Esse processo é chamado de “reescrita”, na qual o aluno cria uma versão escrita para o texto que ouviu que, sem o devido encaminhamento por parte do professor, virá a ser um mero exercício de transcrição. Nos anos escolares posteriores, a aproximação entre a fala e a escrita mantém-se mais próximas. O aluno vai escrevendo enquanto pensa, sem que haja um distanciamento entre o texto e seu produtor, como menciona Marcuschi. Nessas situações, ao receber as intervenções do professor, o aluno limita-se a “passar a limpo”. Esse tipo de reescrita não o leva a refletir sobre o texto que produziu.
            A reescrita eficaz deve ser vista como um processo de intervenção no texto, a partir de um projeto estabelecido de produção textual. O aluno deverá ser levado a distanciar-se do texto que escreveu, assumindo o papel do autor que manipula a linguagem para atingir seus objetivos de escrita.
            Como docentes devemos preparar nossos alunos para assumirem-se como autores de seus textos, fazendo valer o momento da reescrita, ainda que tarefa árdua, mas que produzirá um texto melhor redigido.
 
Fonte:
Ceelufpe Fala e escrita parte 01. Disponível em:< http://www.youtube.com/watch?v=XOzoVHyiDew>. Acesso em 18/09/2013.

Mas o que é literatura?


Proposta de atividade para a introdução da turma às aulas de literatura
 
Público alvo: 1ª série do Ensino Médio
Período: 3 ou 4 aulas
Objetivo(s): Compreender que os juízos de valor que constituem a literatura são historicamente variáveis, mas têm certa relação com as ideologias sociais. Esses juízos de valor estão ligados não somente ao gosto particular, como também aos pressupostos pelos quais certos grupos sociais exercem e mantêm o poder sobre o outro.
 
   

Entender o que é literatura, muitas vezes, causa certa dificuldade para alunos e professores.
Os livros didáticos geralmente definem como objetos literários aqueles em que se nota um uso especial da linguagem – como, por exemplo, a presença de rimas nos poemas.
Mas será que em todo texto em que se nota certa sofisticação na linguagem é literário?
Sugerimos a seguinte atividade para levar os alunos a desenvolverem uma postura em relação à definição de literatura.
O jornal The Washington Post realizou uma experiência no campo da música que pode nos ajudar a pensar sobre a definição de literatura como uso especial da linguagem.
A prática de tocar nas estações de metrô é comum entre artistas da Europa e dos Estados Unidos. Muitos artistas fazem isso a fim de obter certa ajuda financeira e Joshua Bell, um dos maiores violinistas do mundo, aceitou tocar em uma estação de metrô de Washington sem se identificar.
A ideia do jornal era verificar se as pessoas reconheceriam a extraordinária qualidade da apresentação do violonista que se apresentava tocando um valioso Stradivarius do século XVIII. Vale ressaltar que Joshua Bell havia tocado, dias antes, no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custavam algo em torno de 1000 dólares.
A experiência permite observar se a avaliação estética tem a ver apenas com a qualidade da produção ou se outros elementos interferem na apreciação.
 


Como podemos explicar o fato de milhares de pessoas terem passado sem sequer terem olhado para um músico reconhecido como um dos melhores do mundo?
O lugar da apresentação e a aparência do músico interferiram na reação dos passantes?
Será que há alguma coisa errada com as pessoas que não prestaram atenção numa música de tão alta qualidade?
A experiência proposta pelo jornal coloca em xeque certas ideias arraigadas sobre qualidade estética. Em geral, procura-se definir a qualidade de uma obra artística a partir de suas características internas e que qualquer pessoa é capaz de notá-las e valorizá-las. No entanto, a excelente execução feita por um grande músico erudito não despertou interesse.
Alguns elementos ajudam a entender o que aconteceu: o local não era adequado, o artista não estava vestido a caráter, os transeuntes não esperavam ouvir uma música especial naquele lugar etc. Na verdade, não há nada de errado no fato de ninguém ter parado para ouvi-lo. Podemos concluir que a percepção da qualidade estética de uma obra depende de vários fatores e não apenas das características intrínsecas à obra.
Pense sobre isso com seus alunos.
Fonte:
Stop and Hear the Music. Disponível em: < http://www.youtube.com/watch?v=hnOPu0_YWhw> Acesso em 17/9/2013.
EAGLETON, Terry. Teoria da literatura: uma introdução. Tradução Waltensir Dutra. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

Livro e game


Proposta de atividade para área de literatura
Público alvo: 9º ano do Fundamental II (dependendo da obra) ou Ensino Médio
Duração: 4 aulas ou mais
Objetivo(s): Incrementar a leitura de obras clássicas da literatura brasileira proporcionando aos alunos a manipulação livre (através dos games) de partes dos textos ou associando-os a objetos pertinentes a eles.


Ler é muito legal. Mas jogar também é. Que tal juntar essas duas “gostosuras” e conhecer um pouco da boa literatura brasileira? No link a seguir você vai interagir com três impressionantes obras da literatura brasileira, leitura obrigatória inclusive para os maiores vestibulares do país.
A primeira é O cortiço, de Aluísio Azevedo. Aliás, você sabe o que é um cortiço? Cortiço é uma habitação coletiva destinada às classes sociais menos favorecidas das grandes cidades brasileiras. Nele moram a sensual Rita Baiana, o português bonitão Jerônimo, o avarento João Romão e mais de uma dezena de outros personagens. Saiba, porém, que o personagem principal é o próprio cortiço, que adquire vida própria e arrasta tudo e todos com seu ímpeto de degradação.
Você sabe o que é uma crônica de costumes? É o relato ou comentário de hábitos e comportamentos de pessoas numa sociedade sob certas circunstâncias. Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida é um bom exemplo disso. Você vai conhecer Leonardo, o primeiro malandro da literatura nacional. Prepare-se para conhecer a sociedade brasileira que ecoa até os dias de hoje.
Quem não se lembra do(a) primeiro(a) namorado(a)? Bento Santiago jamais esqueceu a sua – Capitolina ou, como a conhecemos, Capitu. O maior enigma da literatura brasileira está no romance de Machado de Assis: Dom Casmurro.  Dessa obra, a única certeza que temos é a de que estamos diante de um dos maiores romances da literatura mundial.
            Leia os livros e divirta-se com os games.


Fonte:
Livro e game. Disponível em: < www.livroegame.com.br>. Acesso em 19/09/2013.
AZEVEDO, Aluísio. O cortiço. 2ª ed. rev. São Paulo: Núcleo, 2010. – (Coleção Núcleo de Literatura)
ALMEIDA. Manoel Antônio de. Memórias de um sargento de milícias. 2ª ed. rev. São Paulo: Núcleo, 1995. – (Coleção Núcleo de Literatura)
ASSIS. Machado de. Dom Casmurro. 2ª ed. rev. São Paulo: Núcleo, 2009. – (Coleção Núcleo de Literatura)

Preconceito linguístico



              Assista ao vídeo - Prof. Marcos Bagno - Preconceito Linguístico


No Brasil, o português apresenta alto grau de diversidade e suas diferenças se devem, principalmente, a duas condições: a grande extensão territorial e as barreiras sociais que separam ricos e pobres, como também escolarizados e não escolarizados.
Essa diversidade linguística desenvolveu a ideia equivocada de o “certo” e o “errado” em termos de fala e de escrita.
No vídeo abaixo, vinculado pela Escola de Formação de Professores Paulo Renato Costa Souza, o professor Marcos Bagno fala sobre o assunto. Segundo ele, preconceito linguístico significa uma pessoa ser discriminada por causa da sua maneira de falar. Para ele, o papel da escola é reconhecer, debater e denunciar esse tipo de preconceito. A ciência da linguagem ensina que toda língua humana é múltipla e variável. O modelo idealizado de língua baseado numa tradição literária, numa determinada região, numa determinada classe social é chamado de norma padrão. Ao professor cabe ensinar essa norma padrão respeitando a variedade linguística de seus alunos.
Veja no link abaixo, um vídeo com a apresentação da música “Zaluzejo” interpretada pelo grupo “O teatro mágico”. Nela, Fernando Anitelli, compositor da mesma, também se refere ao preconceito linguístico e enfatiza no final da letra que “errado é aquele que fala correto e não vive o que diz”. Assim, cabe à escola demonstrar aos alunos a multiplicidade de realizações (formas de uso) da língua portuguesa e o respeito aos diferentes falares, afinal não são eles que definem quem uma pessoa é.
 
 

Fonte:
BAGNO, Marcos. Preconceito linguístico: o que é, como se faz. São Paulo: Edições Loyola, 2003.
ANITELLI, Fernando. O Teatro Mágico, DVD – 04 Zaluzejo. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=PWykmQ1oe90> Acesso em 20/9/2013.