"Escrever é um ato solitário, solitário de um modo diferente de solidão. Escrevo com amor e atenção, ternura e dor e pesquisa, e quero de volta, como mínimo, uma atenção e um interesse."- Clarice Lispector

22 setembro, 2013

Mas o que é literatura?


Proposta de atividade para a introdução da turma às aulas de literatura
 
Público alvo: 1ª série do Ensino Médio
Período: 3 ou 4 aulas
Objetivo(s): Compreender que os juízos de valor que constituem a literatura são historicamente variáveis, mas têm certa relação com as ideologias sociais. Esses juízos de valor estão ligados não somente ao gosto particular, como também aos pressupostos pelos quais certos grupos sociais exercem e mantêm o poder sobre o outro.
 
   

Entender o que é literatura, muitas vezes, causa certa dificuldade para alunos e professores.
Os livros didáticos geralmente definem como objetos literários aqueles em que se nota um uso especial da linguagem – como, por exemplo, a presença de rimas nos poemas.
Mas será que em todo texto em que se nota certa sofisticação na linguagem é literário?
Sugerimos a seguinte atividade para levar os alunos a desenvolverem uma postura em relação à definição de literatura.
O jornal The Washington Post realizou uma experiência no campo da música que pode nos ajudar a pensar sobre a definição de literatura como uso especial da linguagem.
A prática de tocar nas estações de metrô é comum entre artistas da Europa e dos Estados Unidos. Muitos artistas fazem isso a fim de obter certa ajuda financeira e Joshua Bell, um dos maiores violinistas do mundo, aceitou tocar em uma estação de metrô de Washington sem se identificar.
A ideia do jornal era verificar se as pessoas reconheceriam a extraordinária qualidade da apresentação do violonista que se apresentava tocando um valioso Stradivarius do século XVIII. Vale ressaltar que Joshua Bell havia tocado, dias antes, no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custavam algo em torno de 1000 dólares.
A experiência permite observar se a avaliação estética tem a ver apenas com a qualidade da produção ou se outros elementos interferem na apreciação.
 


Como podemos explicar o fato de milhares de pessoas terem passado sem sequer terem olhado para um músico reconhecido como um dos melhores do mundo?
O lugar da apresentação e a aparência do músico interferiram na reação dos passantes?
Será que há alguma coisa errada com as pessoas que não prestaram atenção numa música de tão alta qualidade?
A experiência proposta pelo jornal coloca em xeque certas ideias arraigadas sobre qualidade estética. Em geral, procura-se definir a qualidade de uma obra artística a partir de suas características internas e que qualquer pessoa é capaz de notá-las e valorizá-las. No entanto, a excelente execução feita por um grande músico erudito não despertou interesse.
Alguns elementos ajudam a entender o que aconteceu: o local não era adequado, o artista não estava vestido a caráter, os transeuntes não esperavam ouvir uma música especial naquele lugar etc. Na verdade, não há nada de errado no fato de ninguém ter parado para ouvi-lo. Podemos concluir que a percepção da qualidade estética de uma obra depende de vários fatores e não apenas das características intrínsecas à obra.
Pense sobre isso com seus alunos.
Fonte:
Stop and Hear the Music. Disponível em: < http://www.youtube.com/watch?v=hnOPu0_YWhw> Acesso em 17/9/2013.
EAGLETON, Terry. Teoria da literatura: uma introdução. Tradução Waltensir Dutra. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

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