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Proposta de atividade para
a introdução da turma às aulas de literatura
Público alvo: 1ª série do Ensino Médio
Período: 3 ou 4 aulas
Objetivo(s): Compreender que os juízos de valor que constituem a literatura
são historicamente variáveis, mas têm certa relação com as ideologias
sociais. Esses juízos de valor estão ligados não somente ao gosto particular,
como também aos pressupostos pelos quais certos grupos sociais exercem e
mantêm o poder sobre o outro.
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Entender o que é
literatura, muitas vezes, causa certa dificuldade para alunos e professores.
Os livros didáticos
geralmente definem como objetos literários aqueles em que se nota um uso
especial da linguagem – como, por exemplo, a presença de rimas nos poemas.
Mas será que em
todo texto em que se nota certa sofisticação na linguagem é literário?
Sugerimos a
seguinte atividade para levar os alunos a desenvolverem uma postura em relação
à definição de literatura.
O jornal The
Washington Post realizou uma experiência no campo da música que pode
nos ajudar a pensar sobre a definição de literatura como uso especial da
linguagem.
A prática de tocar
nas estações de metrô é comum entre artistas da Europa e dos Estados Unidos.
Muitos artistas fazem isso a fim de obter certa ajuda financeira e Joshua Bell,
um dos maiores violinistas do mundo, aceitou tocar em uma estação de metrô de
Washington sem se identificar.
A ideia do jornal
era verificar se as pessoas reconheceriam a extraordinária qualidade da
apresentação do violonista que se apresentava tocando um valioso Stradivarius do século XVIII. Vale
ressaltar que Joshua Bell havia tocado, dias antes, no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custavam algo em
torno de 1000 dólares.
A experiência
permite observar se a avaliação estética tem a ver apenas com a qualidade da
produção ou se outros elementos interferem na apreciação.
Como podemos
explicar o fato de milhares de pessoas terem passado sem sequer terem olhado
para um músico reconhecido como um dos melhores do mundo?
O lugar da
apresentação e a aparência do músico interferiram na reação dos passantes?
Será que há alguma
coisa errada com as pessoas que não prestaram atenção numa música de tão alta
qualidade?
A experiência
proposta pelo jornal coloca em xeque certas ideias arraigadas sobre qualidade
estética. Em geral, procura-se definir a qualidade de uma obra artística a
partir de suas características internas e que qualquer pessoa é capaz de
notá-las e valorizá-las. No entanto, a excelente execução feita por um grande
músico erudito não despertou interesse.
Alguns elementos
ajudam a entender o que aconteceu: o local não era adequado, o artista não estava
vestido a caráter, os transeuntes não esperavam ouvir uma música especial
naquele lugar etc. Na verdade, não há nada de errado no fato de ninguém ter
parado para ouvi-lo. Podemos concluir que a percepção da qualidade estética de
uma obra depende de vários fatores e não apenas das características intrínsecas
à obra.
Pense sobre isso
com seus alunos.
Fonte:
Stop and Hear the Music. Disponível em: < http://www.youtube.com/watch?v=hnOPu0_YWhw>
Acesso em 17/9/2013.
EAGLETON,
Terry. Teoria da literatura: uma introdução. Tradução Waltensir Dutra.
São Paulo: Martins Fontes, 2001.
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